nerds @nfíbios, a vida de papel

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Foto de alguma biblioteca da USP pela Carol Nehring, Jornal do Campus

Passarinho azul estraga a gente, fica mais preguiçoso que se já é, enjoei de ler mais de 140 caracteres por aí. Mentira. Ando transando ler em papel. Esse uso do verbo ‘transar’ aprendi naquele livro de cartas da Ana C, há esse eco o tempo todo, nem sei se consigo usar direito como ela.

Bom, começa que durante uns 7 meses uma revista laranjinha simpática ficou tomando ar em minha mesa do trabalho. Trata-se da nº 6 do GEL – Grupo de Estudos Lingüísticos de São Paulo, tenho lá certo carinho por isso, dessa maneira, nem li, nem repassei, ela ficou ali a laranjar. Com as tradicionais faxinas de começo de ano, havia separado a pobre para o rumo da biblioteca. Aí comecei a folhear e não teve jeito, adorei o artigo do Lorenzo Vitral, disponível simpaticamente em pdf (embora eu não tenha conseguido abrir), sobre a noção de gramática universal no Guimarães. Minha pessoa pirata já tinha roubado algumas coisas daí, claro, mas foi bem bom ver uma proposta de sistematização de processos gramaticais – jogar os verbos pro final, que nem no alemão, abusar das duplas negativas, verbos dever e merecer preposicionados (“devia de perguntar”, “mereço de ir”), duplos genitivos (“sua família legítima dele”) & outros truques, enfim, anotei tudo pra roubar no descaro.

De quando em quando vou à biblioteca da FFLCH. E não é pra tomar café com o Renan e Calixto, fofocando ali na porta. Sempre pra xerocar qualquer artigo e xeretar estantes. Adoro essa biblioteca por algum motivo besta, durante um ano estudei ali umas 8h por dia e peguei amor. Nesses meus trajetos, sou bem sistemática: procuro todas as indexações antes na internet e levo folhinha impressa com mil cifras e enigmas pra caçar livros. Tipo FFLCH /869.965^D859cr.

Nisso de pesquisar antes o index na net, encontrei agorinha uma tese que interessou muito: “Narrar a vida à margem: o exílio em La casa y el viento, de Héctor Tizón; En estado de memoria, de Tununa Mercado; e Rabo de fogueteos anos de exílio, de Ferreira Gullar”, dissertação da digna mestre Solange Chagas do Nascimento Munhoz. Queria sim alguém que comentasse exatamente o Rabo de Foguete, um relato autobiográfico do Gullar, me animei. Não é que clicando felizmente tenho acesso ao pdf na íntegra? Ah, essas pequenas felicidades pesquisatórias! Aí dividi contigo.

Bem melhor ir à biblioteca só pra dormir no sofá babando na frente de todo mundo e tomar cafezinho. E ter a surpresa do bilhetinho freakanônimos com poema do Baudelaire, deixado em cima do teu material de estudo, quando se retorna do banheiro. Nos 140 espaços do passarinho azul não cabe nada disso. Uma sorte.

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