mais um livro do jamie

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jamieComida caseira – deliciosas receitas clássicas é o título em português do Jamie’s comfort food, novo livro de receitas do Jamie Oliver. Enquanto meu pequeno e peludo cão faz gracinhas pela casa pra que eu deixe disso de ficar digitando e saia correndo atrás dele, resisto bravamente e compartilho rapidinho o que achei sobre.

Todo ano me desfaço de meus livros. Vc pode imaginar o quanto recebo de obras ou sou obrigada a ler. Se você não fica esperta, logo ficar sem espaço no apartamento para dormir (há um conto ótimo da Veronica Stigger sobre o assunto). Guardo as críticas e histórias na cabeça – um jeito excelente de armazenar livros. Apenas dois tipos de livros andam resistindo a esse furor organizatório: os de poesia e os de gastronomia. Os de poesia guardo, pois são raros, únicos e sei que são dificílimos de encontrar depois. Os de gastronomia, bem, porque são… bonitos. Razão suficiente.

Não titubeio em dizer que os livros do Jamie estão entre os mais bem escritos de minha modesta coleção gastronômica. Veja, minha avaliação é bem particular, porque venho da literatura. Eles possuem aquilo que costumamos chamar de “projeto poético”. Está sempre bem delimitada a história que se quer contar, conseguem chamar as narrativas necessárias para que o livros se ponha em pé. Não subestimam quem lê, trazem fotos despojadas, com queimados, manchas na toalha e coisas bonitas e desastradas que acontecem em qualquer cozinha. Tecnicamente também são bons, porque as receitas são muito testadas e dificilmente haverá uma que dará errado se você seguir as instruções. Um primor e capricho que muitas vezes falta às receitas por aí.

O Comida caseira está dentro desta moldura. A ideia é mostrar receitas de preparo longo. A cada capítulo, um tema – “nostalgia”, “para ficar feliz”, “mais saúde e energia”, etc. As histórias que introduzem as receitas, desta vez, estão pequeninas e abreviadas, mas bastante claras a respeito do prato que apresentam. É o resultado de um Jamie viajado, maduro. Receitas árabes, indianas, japonesas, italianas e a nossa feijoada não irão faltar. Encontrei até o pierogi, aquele bolinho polonês cozido. Também tem um dos meus pratos prediletos da infância – casquinha de siri (“bolinhos de siri”) – me emocionei nesta parte.

Chama a atenção o número relativamente alto de pratos de comida de rua, como o gado-gado da Indonésia. Há ainda um apêndice do politicamente correto sobre nutrição, acho importante. De minha parte, teria um número menor de receitas e talvez mais detalhes a respeito dos pratos. São tantas e tão diferentes umas das outras que fica bastante cansativo.

Não faltam agradecimentos às amizades que permitiram as receitas existirem e traz aquele jeitinho solar de escrever sobre comida que prezo tanto. Enfim, tire as próprias conclusões e me conte.

Queria também aproveitar para parabenizar a tradução da Flavia Souto Maior, Aurea Arata e Marina Garcia. Sei bem o quanto é complexo traduzir receitas e, desta vez, está maravilhosamente fluente.

Bom, vou lá passear com o cão. A tarde está linda e ensolarada. Acho que hoje farei um nhoque.

 

Comida caseira

Jamie Oliver

1a ed, São Paulo, Globo, 2015

406 páginas

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One Comment

  1. Aurea Akemi Arata
    4 de maio de 2015 at 10:23

    Como uma das tradutoras desse livro, só posso agradecer o reconhecimento pelo nosso trabalho, Ana.

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