Libera a wi-fi

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Sábado. Acordei tarde e fiquei enrolando na cama lendo o twitter. Com horror me defrontei com uma reportagem do El País sobre segurança de redes wi-fi: Cómo blindar la wifi de casa para que no te la roben. No es solo cuestión de tacañería: proteger la red inalámbrica de extraños puede evitar que nos imputen por delitos que no hemos cometido. Se vc fuçar mais, vai encontrar todo um dossiê a respeito do grandíssimo perigo que é acessarem tua rede, ui! Daí decidi fazer uma crônica. Este gênero literário maravilhoso em que tudo cabe. De receita de bolo, comentários existenciais a qualquer xingamento no twitter.

Dedico o texto à Tarsila, que me chamou pra ir almoçar no Pf local, mas resisti dizendo “tenho que escrever uma crônica”, gente que escreve é um puta saco.

É conhecido o dito um copo de d’água e wi-fi não se nega a ninguém. Que se vc quer saber se fulano conhece bem ciclano basta colocar o celular de um na casa do outro: se conectar na wi-fi automaticamente, pimba!, são amigos (tática que iria poupar bastante o tempo da Polícia Federal).

Wi-fi seria igual amor, está no ar, mas nem todos tem a senha.

Na reportagem do El País, dizem que se alguém roubar a tua wi-fi é a morte. Vão te dar um golpe. Vão vender teu cachorro. Vão te fazer de zumbi e vc irá trabalhar boa parte da vida.

Vão projetar todo teu histórico de conversas imbecis do whatsapp lentamente no prédio da FIESP durante dias.

Vão revolver tuas selfies malsucedidas da pasta da lixeira e soltar uma a uma no teu perfil do feice, tagueando amigues (e quem tiver amizade firmeza mesmo vai mandar o “arrazou!”).

Vão espalhar no grupo da firma aquele nude medonho, que ficou azulado, quando vc não distingue o que é joelho do que é pescoço e colegas simplesmente não entenderão a mensagem.

Por fim, alguém vai descobrir que vc não vai dormir sem assistir Labirinto – a magia do tempo. A sorte é que talvez essa pessoa malfeitora não descubra que vc sabe até a coreografia dos goblins…

No mais, ouvi duas histórias antropológicas que envolvem redes wi-fi e recadinhos.

A primeira, foi uma tentativa de dar um toque no vizinho aspirante a Charlie Parker, quando mudaram o nome da rede pra chegadessaporradesax (a senha era silenciodepoisdasdez). Outra terminou num bonito caso de sexo casual quando a mudança de nome da rede foi mais elogiosa: querofalarcommeuvizinhogato (não sei qual é a senha, desculpe).

*    *     *

Bom, se essa ameaça toda de vazamento da wi-fi é séria ou não, cada pessoa pode decidir. Talvez a medida seja o cu, cada pessoa sabe lá o que faz com o seu. De minha parte, liberar a wi-fi me parece um gesto humanitário.

Termino aqui a crônica rápida, pois ainda vou lá ver se posso tomar sorvete com a Tarsila. Hoje é sábado e o dia está lindo.

Esse povo do El País devia é liberar a senha e ser feliz.

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