invasão mamútica

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É sabido que em minha morada se passam fatos incomuns. Viajei um tempo com os Escritores na Estrada e achei que a última estranheza ia sumir por si só. Nada. Hoje, quando acordei, os mamutes ainda estavam lá.

Aguardo que a porta de meu quarto se cure sozinha. Após as chuvas juninas que abriram este inverno, a pobre porta se transformou num pórtico para outras eras. Sequer encosto na madeira. Já fui até Floripa, POA e Curitiba. Está de bom tamanho. Não quero ir ao Jurássico, anda muito em alta. Ou virar musa do feminismo Paleolítico. Nem arranjar um date no Neolítico. Muito menos dar meu mini-curso de desconstruir gavetas numa Era em que nem gaveta existe.

O caso é que, sendo pórtico, a porta atraiu uma manada de mamutes. Que se alojaram dentro da madeira. Nem saem, nem retornam. Estão ali, uma espécie de oásis mamútico pra caravana alojada entre os compensados. Se encosto na pobre porta, os mamute bramem bravos! Não consigo os enxergar, apenas ouvir o retumbante som das trombas peludas. A porta está ali, agora nem abre, nem fecha. Uma porta sem préstimos a não ser retumbar.

Tentei óleo para as dobradiças. Nada. O laudo do especialista em remoção de animais da Era do Gelo foi claro: é retirar a porta do batente, passar formão embaixo e recolocar. Nem precisa de palavra mágica. Se fosse outra época, teria feito ouvindo rapidinho this is thrillerrrrthriller night. Como é inverno e sigo meio exausta da viagem, aguardo a porta sarar e os mamutes se cansarem do século XXI. Que mal começou e nem é tão interessante. Bicho louco assim só pode tar em extinção.

Mamut_lanudo

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