Ideias para ministrar uma oficina de criação literária

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Sigo dando volta em volta. Cutucando onças e vendo que são só gatinhas. Por conta das últimas postagens com exercícios criativos, recebi umas mensagens bonitas pra burro – depois vou separar e compartilhar, sim?

Também recebi uma solicitação: uma amiga irá ministrar um curso de escrita criativa pela primeira vez. Hum, que frio na barriga! Daí que me pergunta:

 

Quais dicas e conselhos você daria para uma oficineira de primeira viagem?

Como é algo que costumo responder com certa frequência – quase uma vez por semestre, aí vai. Aliás, não deixe também de ler o post a respeito de Como montar o próprio grupo de criação literária – seria uma resposta aplicável para um modelo horizontal, sem a figura docente.

*   *   *

Sobre a preparação dos encontros

Prefiro o termo “encontros” a “aulas”, pois na realidade a figura docente aqui possui um papel muito mais fluido do que teria em uma aula expositiva. Adoro dar aulas expositivas (são aquelas no estilo de cursinho, em que só um fala durante um grande período de tempo). Mas entendo que uma oficina de criação tenha características muito distintas, pois o objetivo é fazer com que o material criativo de cada um possa explorado, assim, passar o turno da fala é fundamental.

Creio que o sucesso de uma oficina depende muito do empenho na preparação. Defina direitinho:

  • o tema a cada encontro
  • a abordagem, tenha uma linha metodológica clara (não são sinônimos, mas vamos deixar assim)
  • o tempo e as atividades: dará certo fazer o que eu pensei no tempo que me reservaram?
  • o material didático – é importantíssimo separar textos relevantes e organizar referências. Lembre ainda de explorar mídias distintas, há muitos vídeos interessantes, imagens, sons (ok, não vou dizer que eu sonho com isso… curto muito essa etapa).

Se for possível, envie um e-mail antes do curso para as pessoas inscritas. Pergunte suas referências literárias, gostos, leituras, formação – pense em incluir algumas em seu material, é simpático.

 

No primeiro encontro

Gosto da roda. Assim, todo mundo pode se ver e ajuda na interlocução. Mas um U pode ser suficiente. A forma clássica de sala de aula expositiva creio ser pouco emocionante.

Também acho fundamentais as apresentações. Cada um explicar o motivo da participação. O nome. O que faz. O que pensa. Além de quebrar o gelo inicial (e todo mundo morre de vontade de saber quem é coleguinha), ajuda a confirmar se o que vc tinha pensado para a oficina é adequado. Muitas vezes serão precisos pequenos ajustes ou alterações de rota. Normal.

 

Exercícios

São infindáveis as possibilidades. Gosto dos que são pouco autoritários. Ensinar a escrever nada mais é do que vc ensinar a pessoa a fazer uma busca. Aquilo que se busca é um mistério, então, vc só mostra como se procura. A velha história de mostrar a porta. O clichê, não é possível abrir uma porta que foi destinada a outra pessoa. Exercícios criativos que falam “isto é certo”, “advérbios são horríveis”, “assim é que se escreve” estão invariavelmente errados. Quem escreve faz as próprias regras, diria roubando do Maiakóvski.

 

Durante o período de oficina

Manter uma comunicação entre encontros é recomendável. De uma semana para a outra, muito da empolgação se perde, as grandes e geniais ideias perdem o viço, as pessoas se desanimam, retornam aos compromissos. A função de quem ministra oficina é manter a tal chama olímpica acesa.

 

Ao final

Avaliar como a oficina foi é importantíssimo: pergunte às pessoas que fizeram a oficina, ué. Pra vc entender. Pra ver onde errou, onde acertou, onde pode melhorar. Escutar, escutar e anotar.

 

*  *  *

Por fim, nem sei se nas minhas próprias oficinas consigo fazer tudo o que estou listando, mas acho que é um pouco por aí. A gente erra muito, não tem jeito. Tem que aprender com os tropeços.

O que posso dizer é que tenho muita satisfação em ministrar oficinas, compartilhar os segredos da caixa preta também chamada “a arte da escrita”. É algo cheio de carinho. Recebo muito em troca. Diria até que a gente aprende muito mais do que quem se inscreve.

No mais, boa sorte. Tenha uma excelente escuta!

Acesse a série Para quem escreve!

+ Como montar o próprio grupo de criação literária

 

 

 

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