Poema novo, “falanges”

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Aqui vai outro poema inédito. O Hugo me ajudou com o esquema de vírgulas, não foi tão simples – gracias!

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falanges

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se o homem morre pela boca,
poetas morrem pelos dedos.

eu não tinha o direito,
me desculpa, neste meu copo
carrego uma noite densa,
por onde nenhuma luz passa,
que se transmuta para meu corpo,
daí nada, nada meu corpo pelos ares
pelas nuvens poluídas vermelhas como candelabros
e quando voo com o meu 1km de cabelo
não é mais nada, é só uma mortalha esvoaçante
por isso de manhã os cabelos parecem ninho de rato
(lembrando que é uma ratazana quem
sugere a cor dos prédios desta cidade).
daí nada, nada meu corpo avista pássaros com plumagens
perfeitas, vão dizer que são morcegos que devem ser mortos
com veneno, que devem ser mortos os morcegos,
mas se avoam pelos ares, transmutados em nuvens,
em rufos, em farfalhos, querem mortos os morcegos mortos e
te nomeiam e adelgaçam tua espinha parada num alfinete,
daí nada, nada meu corpo quem carrego na noite densa deste copo,
mil desculpas, eu não tinha o direito.

se o homem morre pela boca,
poetas morrem pelos dedos.

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