escolhas e direitos autorais

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Capa da edição mexicana do "Rasgada", Ed. Limón Partido.

Capa da edição mexicana do “Rasgada”, Ed. Limón Partido, a partir de obra da Alessandra Cestac.

Eu não vou dar, eu vou distribuir

– Surfistinha, Bruna.
(recadinho sábio à poesia contemporânea)

Uma das coisas bonitas que advogar me trouxe foi o conhecimento prático a respeito de direitos autorais – agradeço muito ao Caio Mariano e ao Guigo Almeida pela graça alcançada. Faz uns 8 anos que entreguei a OAB, mas a bagagem ficou.

Entender a cadeia de distribuição, um dos maiores entraves para a difusão da literatura mais recente no Brasil (outro dia escrevo a respeito, mas um exemplo simples é a grande concentração de capital que impede a entrada de publicações de editoras menores nas livrarias megastores), entender como flexibilizar direitos como estratégia de escoamento da própria obra, esses raciocínios ficam muito mais claros quando se lida com problemas práticos, ainda mais como advogada.

Resta claríssimo que não se vai ganhar nenhuma fortuna de direito autoral com poesia por estas paragens. Daí, imagino que uma das maneiras simples de difundir o que se escreve é… flexibilizar direitos!

Todos os meus livros estão aí para quem quiser baixar. Se me pedem o pdf, sempre mando. Apenas cobro pela utilização de poemas em campanhas publicitárias ou por instituições culturais de porte maior. Dinheiro com poesia ganhei com prêmios, palestras e cursos, não exatamente com a exploração de direitos autorais.

Claro que o livro em papel tem um custo – da editora, de quem ilustra, de quem revisa, de quem diagrama, de gráfica, de frete – e fico muito feliz que editoras ótimas, como a Editora Patuá, venha editar e distribuir livro meu impresso, com carinho e capa charmosa [btw você pode comprar o Sarabanda aqui].

2015, um ano especial

Há 10 anos publiquei meu primeiro livro. Daí decidir fazer algo em retribuição à todas as pessoas que me ajudaram nestes anos de amizades tão queridas e leituras tão amáveis: organizarei uma edição comemorativa do Rasgada, com a inclusão de 20 outros poemas – tipo um the best of e com lado B de faixas inéditas (os inéditos andam os mais complicados, porque notei que é bem fácil que fiquem idiotinhas perto dos outros).

No livro, haverá uma previsão: em 2025, todos os poemas da edição comemorativa entrarão em domínio público. Assim, de pouco em pouco, vou liberando tudo e evitando que os poemas não sejam fluxo, não sejam vivos, permaneçam fluindo neste papel de luz.

Não é a primeira vez que faço isso:

– em 2017, os poemas do Nós que adoramos um documentário entram em domínio público. É uma forma de melhorar a distribuição e facilitar outras edições, traduções e tudo o mais. Também fiz um esquema bonito de troca do livro com as pessoas. [+ no Estadão]

– em 2007, também organizei a distribuição por contrabando do meu romance, o Acordados. [+ aqui]

São ações que envolvem muito afeto e redes, exigem certas energias e entregas de minha parte. Agora, estou me concentrando para esta nova fase, alongando músculos, afinado palavras. Outra saída do casulo. Outra vez, tentar dar um vôo pequeno. Outra vez. A ver que pasa.

Ainda pretendo organizar, este ano, toda minha obra em poesia em e-books para kindle. Acho que o kindle tem um potencial interessante para fazer chegar poesia a pessoas novas.

Darei notícia.

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