ciclofaixa de lazer

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A medicina ocidental me tratou muito bem e receitou relaxante muscular e um monte de sessão de fisioterapia. Hum. Sigo de pescoço torto, não consigo dizer “sim”. O que é ótimo para fazer piadas. Segue uma pequena crônica. Aunque pequena y crônica pueden ser una tautología.

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.Diante das notícias sobre as novas e incríveis ciclofaixas

Queria então falar desse lance das ciclofaixas de final de semana. Que ligam os parques bonitos e verdes. Que cruzam bairros bem nobres, bem bonitos. Que instituem uma faixa, logo a da pista mais veloz!, às bikes que acordam bem cedinho no domingo, as madrugadoras em busca do tão sonhado lazer, dão lugar às famílias. Mas veja, é só domingo e bem cedinho! E nem descobriram que, perto de casa, logo ali onde a ciclofaixa vem visitar meu cãozinho, bem no canteiro central, à vista de todos, já existe uma trilha secreta, cavada pelos sulcos das rodas de bicicletas dos guardas-norturnos e dos meninos que vão ao CEAGESP carregar caixas tão cheirosas de frutas. Eles não acordam cedo no domingo. Pedalam sozinhos. Você pensa: como vão devagar! Mas no fundo, quase voam, observe com mais calma, como são ligeiros! Ainda acordam de noite no sábado e a manhã de domingo os alcança como o fim da jornada. De minha parte, sou simplesmente preguiçosa. Para eles e mim mesma existe a trilha do canteiro central. A gente nunca sabe o que um ônibus de noite pode fazer. Ainda um ciclista lycreado outro dia me gritou: vem pedalar no asfalto!, mas isso pq tenho cara de trouxa. Não dou confiança. Ninguém grita ordens-convidadas aos guardas-noturnos. E quando chove? Não sei. Uso aquela capa de chuva de banca de jornal. E a sandália havaiana. A Gisele indica, cabelos balançando tão loiros. Deve ser bem nobre e bem bonito isso. E quando chove muito? Não sei, fico em casa, planejando fazer uns bolinhos de chuva. E nunca os faço, cozinho mesmo ensopados, que demoram muitíssimo, como o isso do desgastar dia após dia um gramado do canteiro central com as rodas, uma escavação de silêncio que segue o trabalho, roda-se a sorte, rodam-se as noites em turnos, quase um crime o isso de criar caminhos na terra onde já existe pintada no asfalto as novas e incríveis ciclofaixas do domingo.

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imagem: ciclofaixa em Ribeirão Preto, retirada do blogue da Prefeita Dárcy Vera.

+ leia no vá de bike: ampliação da ciclofaixa de lazer

+ texto da Renata Falzoni sobre o tema

[em tempo] Amanhã tem Bibicletada. Nunca fui numa, apesar do incentivo do Hugo. O horário pra mim é ruim. Serve essa resposta? Acho que não – em São Paulo, todos os horários são horríveis. Depois conto que pasó.

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4 Comments

  1. ana erre
    27 de janeiro de 2011 at 11:03

    putz, daud,
    pior que tem outra dessas engatilhada…
    não adianta, pra escrever-escrever nunca se segue editorial (oh, poor jéssica!).
    acho que roubo algo do raduan, imagino. mas ele não era fofo. hahahá.

  2. ana erre
    27 de janeiro de 2011 at 11:03

    putz, daud,
    pior que tem outra dessas engatilhada…
    não adianta, pra escrever-escrever nunca se segue editorial (oh, poor jéssica!).
    acho que roubo algo do raduan, imagino. mas ele não era fofo. hahahá.

  3. Rafael Daud
    27 de janeiro de 2011 at 10:18

    Irada. Linda. Arrepiou.
    Parece então que vc instituiu o gênero crônica-poesia?
    Claro, tem um Rubem Braga, mas ele não era poeta, bom quanto fosse.

  4. Rafael Daud
    27 de janeiro de 2011 at 10:18

    Irada. Linda. Arrepiou.
    Parece então que vc instituiu o gênero crônica-poesia?
    Claro, tem um Rubem Braga, mas ele não era poeta, bom quanto fosse.

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