a nave, coerência e escolhas

um poema para você levar

 

Aqui vai um poema inédito. Escrevi após pensar nuns dilemas políticos.

As pessoas gostam ultimamente daquela expressão “a coerência mandou beijos”, o puxão de orelha irônico para quando vc faz uma escolha não-alinhada com certo posicionamento. No meu cantinho de observadora, só vejo o quanto é confuso manter qualquer coerência. Discursos prontos e bem-resolvidos não conseguem rejuntar buracos dos escombros do real. Creio que mais servem para mostrar a fragilidade na qual se apoiam.

O poema é multi-uso. A nave sempre está pronta. Leve a poesia pra onde quiser.

*   *   *

trigger warning

eu desenho a nave
não a construo.

quem constrói a nave
abusou de um ser
da minha espécie.

quem constrói a nave
não compreende a existência
da minha espécie.

a gente tem sempre a opção
de não embarcar na nave.

a nave está pronta.

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