a vida em formulários, uma arte incompreendida

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Passei a noite caçando respostas na caixa de luz do gmail à pergunta mais complicadinha do dia

: qual foi a sua produção intelectual em 2014?

Jano e a dúvida sobre tirar ou não a barba.

Claro que, embora seja um tema quase filosófico, a resposta deve vir tabulada em formulários com campos bem definidos estilo CAPES, sem deixar de terem o seu mistério. Vasculho o Janus, sistema eletrônico da pós-graduação da USP, que tem uma denominação peculiar: batizado com o nome do deus romano que enxerga passado e futuro ao mesmo tempo, divindade das mudanças, que possui duas faces, uma sem barba (carnaval 2005) e com barba (carnaval 2015).

O sistema Janus apenas que adverte que a data da defesa do doutorado está próxima (aproveito para contar que adoro também o nome do sistema operacional das bibliotecas, o Dedalus – não há nome mais perfeito, reverenciar o inventor do labirinto em que vivia o Minotauro). Leio muitas vezes a lista do que se considera produção intelectual para não escrever abobrinhas. Tem a parte simples: não escrevi partituras, não desenhei mapas, não desenvolvi um protótipo, muito menos fiz uma maquete, ok, entendi. Mas há muitas que ficam na nuvem cinzenta. Nem toda sua produção intelectual é relevante para a CAPES. Escrevo essas bobagens sobre a vida acadêmica aqui, pois sei que são angústias comuns para estudantes e professorxs Brasil afora. Bem, terminei assim e compartilho, pois muitos dos projetos foram ótimos – uma forma de agradecer as parcerias e amizades que surgiram/consolidaram:

“No ano de 2014, a discente dedicou-se a elaborar a redação final de sua tese, com título “Utopia, feminismo e resignação em The left Hand of Darkness e The Handmaid’s Tale“, romances de língua inglesa respectivamente das autoras Ursula Le Guin e de Margaret Atwood.

Ministrou dois cursos de extensão pela Cátedra UNESCO, sediada no IEA-USP, a respeito de direitos humanos e escrita criativa com Laura Mascaro, utilizando-se do corpus pesquisado nas atividades. A primeira edição do curso foi na USP Maria Antonia e a segunda na Faculdade de Direito. Relacionado a este projeto, participou da mesa “Literatura: Memória, arte e educação em direitos humanos“, no encontro “Memória, Arte e Educação em Direitos Humanos” do IEA-USP.

Ofereceu duas oficinas de criação literária em cursos livres. A primeira, “Fantastika“, com Fábio Fernandes, que discutiu parte da produção em língua inglesa sobre ficção científica e literatura fantástica a partir de exercícios de escrita. A segunda, “Frio & fúria”, que trabalhou com elementos de prosa contemporânea brasileira.

Organizou a antologia de poesia “É que os hussardos chegam hoje – antologia poética da cidade de São Paulo“, em conjunto com Elisa Buzzo, Eduardo Lacerda, Lilian Aquino, Vanderley Mendonça e Stefanni Marion (Ed. Patuá/Demônio Negro). Escreveu prefácios para os livros de poesia “Entranhamento” de Bruna Escaleira (Ed. Patuá) e “Sociedade Vertical” de Caco Pontes (Ed. Maloqueiristas) e para o romance “Telefone sem Fio” de Vera Rossi (Ed. Patuá)”.

Parece que a primeira realização do ano vem aí, um curso. Conto assim que tiver mais detalhes.

foto da amada faculdade, com sua eterna aura de rebeldia.

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