Como você define 2016?

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Ah, esse velho traiçoeiro. Dois mil e dezesseis ficou conhecido, hum, digamos, pelas não tão boas energias assim. Levou muita gente querida. Trouxe muita notícia amarga. Nos surpreendeu com retrocessos que achávamos que eram do penúltimo século. No horóscopo chinês, o ano é do Macaco de Fogo. Que nem acabou nos últimos dias, atenção, irá até 27/01.

Assim, nada surpreende que eu esteja (ainda) passando por uma enrascada administrativa maluca, o que atrasou este post. Nem quero falar da enrascada, mas basicamente passo no mínimo duas horas de meu dia no telemarketing com certa companhia aérea para que o Canek, meu supercão, volte comigo para casa.

Ainda nestes dias de vendavais da enrascada, recebi uma carta-poema da Julia Hansen, me comoveu até a medula. Há dias em que a gente não tem muito para dizer por cansaço. Daí a gente toma as palavras de empréstimo. Digo, as mesmas palavras de toda a gente. Palavras, sal, moeda comum. Esse trechinho “enquanto isso, eu estarei, irremediavelmente,/ me fazendo de girafa ou avestruz/ enfiando a cabeça em outras alturas”. Outro dia devolvo a gentileza.

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Como você define 2016?

Enviei minha newsletter antes do Natal com a pergunta em epígrafe. Seguem algumas respostas que selecionei. Muitas em poemas. Não ia deixar de publicar. Obrigada pelo carinho!

 

Quem sentiu 2016 como um cavalo sem doma levanta a mão. Sabe? Não, pouca gente sabe. Montar um cavalo sem doma é sentir o poder do animal e perder as rédeas, deixar ele saltar com violência e se segurar pra não cair. Parar ele não vai, ele quer te derrubar. O peão se segura como pode, o experiente nem monta…

2016 foi o cavalo mais xucro que o Brasil montou nos últimos 15 anos. Foi o ano selvagem da direita tentando mostrar que tem poder.

O que é bom é que uma hora o cavalo para. Quem caiu, sobe de novo. Quem não caiu segue, agora com as rédeas, e acaba de ganhar um cavalo novo…

– Yasodara Cordova

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2016? Você tem certeza? Pensei que a gente estivesse em 1016.

– Carlos Felipe Moises

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2016 foi o ano em que não morri.

– Claudia Santiago

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2016? raspar a pele até você torcer desequilibrada nos ossos e ainda assim olhar o mar com cara de besta.
Introjetar -se até a cova por ser nascido aqui.
Bílis
Quebrar todos os espelhos
Fazer piada feito bobo da corte
Sonhar que durmo tranquila
Na verdade sentir se nua
na toca dos lobos

– Beth Brait

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“Como você define 2016?
Avassalador, chega sem avisar, toma de assalto, atropela, vela de incendiar? Arrebatador, vem de qualquer lugar, chega, nem pede licença, avança sem ponderar? Me diga!”
– Não posso.
– “Por que?”
– Porque não defino.
– “?”
– Por que você quer que eu defina 2016 usando ideias do amado Lenine? E por que definir o que mais se sente e se vive do que qualquer coisa?

– Ieda Estergilda

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2016
Insano_ô
ops!
caiu das nuvens
estrela estatelada no chão da praça.
Indigno_ô
de corpo e alma
ser cortado à lama, bala, abandono e violação.
Inútil inútil… cobertor de sangue.
Tão aceso!
Insurgente de escárnio e
poesia na carne eterna.

– Mari Quarentei

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É um continuum indivisível de microssegundos. E nesse abrolho, 2016 seguiu símil aos demais, já que os sóis sempre luziluziram sem datas & recortes. Contudo creio, a título de súpero ‘desfecho’ duma narrativa ávida por um Êxodo, enunciaria às nossas investidas nos brasis: “Umanodeleveprogressonarotadagovernabilidade”.

– Koguen Gouveia

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Sopro
Bocas do tempo contam a viagem.
O vento dentro de mim
despida dona de nada
nem mesmo de minhas certezas.
Vaivém de marés…
o homem é grão, semeia a pedra.
A água bate lava leva o pensamento.
Para que esperar a nova estação enclausurado entre as paredes do calendário?

– Regina Alonso

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2016: O Império Contra-Ataca
Dirceu Villa

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Lembrete para 2017
: por favor, incendeiem-se de sonhos!

– ana erre quem agradece a visita :)

 

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