2 poemas e o processo criativo

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lugar comum 47: happiness

a felicidade é um rinoceronte de aço
que te atropela
num trago
no rastro, mistério e treva do que é amargo

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como domar feras com um espelho

pegue a mais temível fera na fímbria do horizonte
bote um espelho na frente e diga
“vai, rinoceronte, ser unicórnio nesta vida!”
após, basta largar a fera domesticada
na sofrência eterna sísifa esteira ergométrica

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Defendi a tese esses dias. Foi uma batalha cerebral das intensas, entendi porque se chama “defesa” – ficam quatro pessoas sagazes te cutucando com perguntas que você não respondeu no trabalho. Desafiado o cérebro começou a pingar na mesa e virou uma pocinha cinza escura embaixo da cadeira. Mas deu tudo certo. Momento dos importantes da vida. Ainda não corrigi o que terei que reformar da tese, depois libero o pdf aqui.

Não voltei a dormir bem logo na sequência. Bem ao contrário, parece que toda a ansiedade da defesa não saiu dos ossos. Demorou uns dias. As festas e amigues incríveis foram as chaves para reabrir o esqueleto e voltar a respirar. Mas está vindo, está vindo. Inspiração e desejo, benditos. Aconteceram muitas coisas aqui dentro desta cachola. Como escreveria a Pilar Bu em um trecho de poema:

, estou em processo
de troca de corpo
readequando unhas,
pêlos e músculos

Na sexta-feira, dei por satisfatoriamente interminados os poemas acima. Ou seja, estão quase na versão final. Fiquei muitas semanas para encontrar o jeitão. E veio de última hora. Explico aqui o processo psicocriativo, porque creio que serve de alento pras pessoas que acham muito simples sentar e escrever.

Sobre o primeiro poema, lugar comum 47: happiness. Uma das formas de encontrar novamente um rumo foi ouvir no repeat muito mais de 200 vezes Dog days are over (Florence and the Machine).

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Como diria o Dan, é porque terminou a tese. Mas acho a música muito interessante. Tem muitos ritmos e variações. E dois versos que são ótimos nas contradições das imagens, ideia de felicidade violenta, ritmo e aliterações: happiness hit her like a train on a track e happiness hit her like a bullet in the back. A gente fica meio louca ouvindo músicas no repeat, mas é bastante útil. Forma uma espécie de mantra. Daí saiu mais um lugar comum.

happiness

O segundo poema, como domar feras com um espelho, faz alusão a um desafio que tinha me imposto. Vi uma ilustração de cortar o coração faz uns dois meses. E tava muito afim de escrever um poema sobre. Mas não encontrava a voz. Acho que quase foi. Não sei muito ao certo.

feras

Engraçado que queria mesmo escrever poemas de amor. Só que não estão vindo. A gente tem que se conformar com o que tem dentro da cabeça. A minha é sempre uma grande confusão e nunca para.

A notícia boa é que finalmente terminei de estruturar os capítulos do novo romance. Não escrevi nada novo, mas agora tenho uma linha, ufa. Segui os conselhos do Dirceu. Agradecidíssima.

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